terça-feira, 6 de maio de 2014

Homem identificado em imagens do linchamento no Morrinhos é preso e confessa agressão


Foi preso na tarde desta terça-feira (6) um homem suspeito de acertar a cabeça da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, com um pedaço de madeira. O rapaz foi detido no bairro Morrinhos, a mesma região onde a vítima foi atacada por populares.

De acordo com informações da polícia, ele confessou a participação na agressão que acabou resultando na morte de Fabiane. O homem foi reconhecido após as imagens do linchamento terem sido entregues à polícia.

Ainda segundo a polícia, o suspeito, identificado como Valmir, alegou que também tem filhos e que participou da ação por acreditar que as acusações à vítima, de que sequestrava crianças para rituais de magia negra, eram verdadeiras.


Advogado


O dono da página Guarujá Alerta, que divulgou o boato que ocasionou no espancamento e morte de Fabiane, prestou depoimento na manhã desta terça-feira.

Segundo o advogado do dono da página, Diego Scarpa, seu cliente está sendo muito ameaçado. "São ataques injustos. Estão atacado ele de forma injusta. Em momento algum será comprovado que meu cliente postou ou incitou a população", afirma.

Com relação ao retrato-falado e o boato divulgados pela página sobre uma mulher que sequestrava crianças para rituais de magia negra, Scarpa afirma que pode haver interesses de terceiros. "Isso será revelado a todos no momento oportuno. São inverdades de terceiros, que buscam culpados e até mesmo aparecer na mídia, por conta da proximidade com as eleições", finaliza o advogado.


Enterro


Centenas de pessoas acompanharam, na manhã desta terça-feira, o enterro de Fabiane. A cerimônia reuniu familiares e amigos que não se conformam com a crueldade do crime.

O enterro foi realizado no cemitério Jardim da Paz, no bairro Morrinhos, onde a vítima morava e foi morta. 

O marido, Jaílson Alves das Neves, comentou o caso e diz não sentir ódio dos suspeitos. “Vou chorar. Não vou aguentar. Para mim a ficha não caiu. Apesar da brutalidade, não guardo ódio, não guardo esse sentimento ruim no coração. Espero que não aconteça com mais famílias. Essas pessoas que agrediram ela e as que assistiram não tiveram a coragem de salvar uma pessoa inocente, não deram nem tempo de defesa para minha esposa. Quero que eles reflitam e que isso não aconteça nunca com a família deles”, explica.


Protesto


Após o enterro de Fabiane Maria de Jesus, dezenas de amigos e familiares realizaram uma passeata no bairro Morrinhos. A população não quer que a imagem do local fique manchada por causa do crime brutal.
Maria José Dias era amiga da vitima há 25 anos e foi a última a ver Fabiane ainda com vida. “Ela foi buscar uma bíblia que tinha esquecido na igreja. Tinha pedido para que eu não esquecesse de rezar por ela. Ela estava bonita no sábado, tinha acabado de cortar e pintar o cabelo. Ela se despediu e disse que ia ao médico. A Fabiane nunca fez mal a ninguém. Tiraram o direito de uma bebê crescer ao lado da mãe. Isso não se faz. Essas pessoas chutaram uma mãe indefesa”, comenta.

Os manifestantes levaram faixas e cartazes com pedidos de justiça para a passeata. Eles não querem que a imagem do bairro seja prejudicada. “Minha maior revolta é que eles fizeram com que a imagem do meu bairro fosse destruída. Eles acabaram com a imagem das pessoas que moram aqui e que são honestas e de bem”, explica.


Revolta de internautas


Dezenas de usuários da rede social criticaram duramente o administrador da página e um deles chegou a dizer que a página seria tão culpada quanto os agressores.

Em uma postagem feita no fim da tarde dessa segunda-feira, o dono da página afirma que está colaborando com as investigações e que não irá se pronunciar a respeito do caso para não atrapalhar o trabalho da polícia. Em alguns comentários, os usuários condenaram a publicação do retrato falado, mesmo sabendo que se tratava apenas de um boato.


De acordo com informações do delegado Luiz Ricardo Lara, que está à frente do caso, ainda é cedo para apontar a responsabilidade do administrador da página Guarujá Alerta. “Caso, durante a instrução do inquérito policial, seja vislumbrado que, de alguma forma, ele colaborou com o crime, na medida em que propalou esses boatos, enfim, que praticou uma infração penal, ele será responsabilizado por aquele ato”, afirma. (G1)

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